
Risos, lágrimas e emoção marcaram a formatura de 20 jovens carentes de Jundiaí, que participaram da oficina cultural gratuita promovida durante quatro finais de semana na cidade. O projeto faz parte do Cine Tela Brasil, que sediou, na tarde de ontem, a exibição dos curtas-metragens produzidos pelos jovens com idade entre 16 e 25 anos. O cineasta José Mojica Marins (Zé do Caixão) marcou presença no evento.A oficina teve início no dia 1º de maio e, conforme explica a educadora e colaboradora pedagógica Marina Santonieri, entre 60 inscrições, 20 jovens da periferia foram selecionados, em parceria com o Projeto Criança, da Prefeitura. "Analisamos o perfil cultural da região e escolhemos locais onde normalmente não há cinema ou teatro. Selecionamos o perfil da moçada e começamos a atividade promovendo aulas aos finais de semana, das 9 às 18 horas. Fiquei extremamente orgulhosa com o resultado do trabalho em Jundiaí", avaliou Marina. Vídeos - Os jovens - de bairros diferentes do município - se dividiram em três grupos e cada um produziu um curta-metragem. Com sete minutos de duração, os vídeos foram apresentados na telona ontem, sob a tenda do Cine Tela Brasil. Sob aplausos do público, os trabalhos emocionaram não só a platéia do Almerinda Chaves como os próprios participantes das oficinas, que nunca haviam se envolvido com cinema. Os vídeos tiveram temas diferentes: "Iluminadas pelo Sol", que fala de beleza e moda feminina; "Dr. Poporowisky", um médico maluco que receita sempre o mesmo medicamento; e "Pão com Mortadela e Meia Mussarela", que trata de câncer na adolescência. Este último, levou o público às lágrimas.
O chão era de terra vermelha e os jovens vestiam estilo despojado: jeans e camiseta. Na telona, vislumbravam o próprio trabalho, dirigido por eles ou até mesmo interpretado por quem nunca esteve na frente das câmeras."Eu achei superlegal. Meu sonho era ser fotógrafo, mas achei o trabalho muito interessante e, sem dúvida, o cinema é a carreira que pretendo seguir", contou o estudante do ensino médio, Rafael Cirino, de 15 anos, que reside no Morada das Vinhas e participou da produção do curta-metragem "Dr. Poporowisky".Já Sandro Antonio de Moraes, de 21 anos, disse que o trabalho foi maravilhoso. "Eu já trabalhava com mídia e agora estamos empolgados para criar um cineclube para as comunidades carentes de Jundiaí", destacou ele, que participou do curta "Iluminadas pelo Sol".

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